se os fatos não dessem tanta margem para interpretação. Bom se fosse certeiro.
É difícil ver uma pesssoa boa ser julgada erroneamente e não ter poder de mudar essa interpretação. Pois não se convence alguém que pensa ser dotado de plena razão, não se convence uma pessoa totalmente cega por si mesma. E é triste ver o cego atirando para todos os lados e criando, ao redor, uma ausência interminável. Machuca a todos e, no final, é o que mais sofre. Auto-defesa, claro. Mas a auto-defesa cega é suicídio moral.
Entristece-me horrorosamente a pouca capacidade de raciocínio que certas pessoas tem. Pessoas que, um dia, admirei com brilho nos olhos. Pessoas que, por uma má interpretação de um acontecimento mais que BANAL, jogaram fora uma amizade que diziam ser linda! Que valor deram a essa linda amizade?! Que valor dão às boas pessoas? Aos outros? E a si mesmas?
em demasia tanto me seduziu na teoria.
Essa paixão em demasia me deixou vulnerável como nunca imaginei que seria.
Essa paixão em demasia me assusta, pois pode me machucar - em demasia.
Essa paixão em demasia abriu milhares de portas. E a única que quero entrar é aquela por onde você foi. E vou te acompanhando com o meu romantismo em demasia, somente esperando pelo teu sorriso, quando olhas para trás. E seria ainda mais romântica se conhecesse os teus limites.
Mas ainda segurarei tuas mãos enquanto procurares teu caminho. Ainda sussurrarei nos teus ouvidos palavras de conforto, e de amor. Entrego-te, então, minha paixão em demasia.
Segura forte e cuida, para que nossos passos sigam paralelos. Enquanto cultivares essa paixão, que somente é amor em tuas mãos, permanecerei zelando por teu bem. Permanecerei ansiando por um sorriso teu, pelo calor de teus braços, pelo tato da textura do teu cabelo.
Estarei aqui, enquanto me quiseres aqui.
aquela metade que tanto procurava. E - apesar de que procurava apenas uma metade pra me completar - achei uma metade que transborda. Transborda meus sonhos, meus desejos, amores, vontades, sorrisos. Transborda no meu sentimento toda a alegria que por tanto tempo dormiu. Transborda no meu sentimento toda a paixão que um dia imaginei. Transborda a lembrança ofuscada de um rosto esculpido na mais profunda inspiração e sensatez de um artista.
Tola!, diga. Que pensas de uma paixão idealizada pelo resto da história, que ainda não se desenvolveu?
Mas, como disse François La Rochefoucauld, “um homem sensato pode apaixonar-se como um doido, mas não como um tolo”. E eu aceito que me chamem de doida. E se isto for realmente loucura, de loucura quero viver. E palavras exageradas quero dizer, ou ao menos pensar. E se não for correspondida, que eu seja, logo, uma doida apaixonada e incompreendida. E, contanto que me resulte em bons frutos, que também eu sofra. E, se eu sofrer, que eu sofra por alguém que mereça. E, se esse alguém não merecer, que seja a paixão mais breve de todas.
Entretanto, que a loucura nunca cesse. Pela paixão que nunca morra. Pela pessoa que tanto merece ser amada.
Que a loucura nunca cesse.
Metade do meu sorriso
Metade da minha paixão
Do meu amor, da minha ousadia
Metade da vida, da simpatia
Procuro uma metade da minha vontade
Metade da música, metade da história
Procuro uma metade do século, da novela
Metade do futuro, metade do caminho
Do desejo, da esperança
Da dependência, a metade do meu interesse
Procuro a metade de mim, que não se construiu ainda
A metade que se doar
Metade da chuva que já secou
Pelo menos metade do tempo que nem passou
Metade do cansaço da dança
Metade da discussão, da companhia
A metade que se escondeu na palavra vazia,
na mágoa escorregadia, na sincera alegria
de metade dos versos que fiz
A metade que levaste embora e meia metade que deixaste
E que eu perdi pela metade de mim
que não acreditou.
um pântano úmido e escuro, cujo preço da passagem me custou muita coragem. E cuja história me despertou a esperança pela imaginação.
Uma árvore seca, imensa, alta e cheia de ramificações esperava os tão raros visitantes. Raízes invadiam o terreno das vizinhas e abraçavam-nas. Pequenas luminosidades azuis, que pairavam próximas a seu tronco, dançavam como quem contempla a saudade de um momento recente. E sorriam lamentações.
Aproximei-me lentamente do fenômeno. E, claro, curioso e receoso, observava. Logo fui absorvido por aquele lugar. Percebi, então, que o cheiros era diferente, que o gosto em minha boca era diferente. E eu não mais precisava respirar, eu não mais ouvia, nem mais falava. Mas isto porque todas as vidas ali presentes me compreendiam sem precisarmos nos comunicar. E eu as compreendia. Uma felicidade tomou conta de mim, preenchendo-me. Senti, pela emoção, uma vontade absurda de chorar, mas não era possível: lágrimas não existiam ali.
De súbito, reconheci. Me dirigi, logo, a uma pequena fresta da árvore por onde jorrava uma torrente levemente brilhante e por onde percorria, contra a gravidade, dezenas de galhos e raízes dispersas pelo chão. “É de onde a vida tira energias para se transformar, de onde a vida tira energias para se criar. É de onde a vida renasce e suspira aliviada, o susto de outrora”, disseram-me. E a árvore chora, triste e orgulhosa, cansada e perseverante, a alegria de compartilhar a eternidade.
(…)
Deixa-me, pelo menos, de um beijo gozar, em meio a esse tempestuoso show de horrores. Quem sabe, talvez, um leve beijo ou o segurar de um dedo deixe de nos opor através do tempo? Quem sabe, talvez, ao me entristecer junto a ti, tenhamos uma chance de nos compreender? E seguirmos, enfim, nesse tempestuoso show de horrores.
But I don’t mind
As long as there’s a bed beneath the stars that shine
I’ll be fine
If you give me a minute
A man’s got a limit
I can’t get a life if my heart’s not in it
(Oasis)
Um só momento em mim,
Não só o olhar, também o pensamento.
Que a vida tenha fim
Nesse momento!
No olhar a alma também
Olhando-me, e eu a ver
Tudo quanto de ti teu olhar tem.
A ver até esquecer
Que tu és tu também.
Só tua alma sem tu
Só o teu pensamento
E eu onde, alma sem eu. Tudo o que sou
Ficou com o momento
E o momento parou.
Fernando Pessoa
um amor, destino
Pois quantos tantos amores já não deram errado?
E deixaram pra trás erros, frustrações,
tristes canções, desejos inacabados
Deixaram, para o presente,
a solidão, a exigência,
a desconfiança do gostar dos outros
e também do meu
Deixaram utopias, um eterno procurar
Deixaram minha vontade,
meu sonho de amar sinceramentte
e de ser correspondida
Deixaram-me essa eterna fuga,
desejo, envolvimento,
expectativa e
Queda
Deixaram esse ciclo malicioso
E deixaram a dúvida de meu amor, pior herança
Deixaram a tortuosa esperança
de ser feliz acompanhada
Que belas lembranças dessas paixões
Que foram tão boas, apesar de depois sofridas
que hoje são tão capazes e vivas
que me incitam a revivê-las,
que me incitatm a querer melhor
E a melhor amar
Que me tocam a ponto de eu me submeter
a toda possível loucura de uma grande paixão.
pelas pequenas alegrias. Sorrio, sim, o máximo que posso, contente com os detalhes a minha volta. Fecho os olhos e ouço, imersa num mar de notas, imersa numa partitura dançante, melodias que, mesmo as mais simples, se tornam maravilhosas quando nelas mergulho. Tento, mas não as entendo. E tanto faz, pois pra quê entendê-las? Se tudo que importa é o sentimento. O sentimento do final da canção, do final do filme, do final do pensamento, do final do dia. O sentimento do climax de toda a situação. Pra quê entender essa beleza? Se a imensidão de seus ritmos nos torna tão pequenos. Dó, como somos pequenos. Quantas oitavas, nonas, quinquagésimas sinfonias? Quantas coreografias? Quantas cordas e teclas? Quantos tambores e bumbos? Quanto sopro terá de se manifestar? Para fazer valer toda a orquestra e chamar a atenção dos tão distraídos a vagar, deprimidos sem razão, tristes à toa. Indignados e descontentes, que tanto falam, mas nada sentem. Porque nada fazem. A música não precisa gritar. Ela sussura e ouve quem se calar. Ela sopra uma boa ideia, uma boa atitude. Sopra: “viva”. “Em paz, viva”. E, quando ouvir, saberá falar. E, quando falar, muitos pararão para ouvir. Pois o que terá para dizer será música.